BRASÍLIA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretende articular um indulto humanitário ou uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como parte das negociações para obter apoio da direita à sua reeleição ao comando da Casa em 2027. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (28), com base em relatos de dois aliados. Segundo a reportagem, a iniciativa também teria como objetivo reduzir a pressão de parlamentares pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes. Alcolumbre pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender um indulto humanitário a Bolsonaro. Caso Lula não aceite a proposta, o senador trabalharia pela aprovação de uma anistia no Congresso Nacional. As conversas, no entanto, ainda não foram formalizadas publicamente. A estratégia estaria relacionada à nova composição do Senado, que assumirá em fevereiro de 2027 e contará com uma bancada de direita que defende maior pressão sobre o Supremo. Aliados afirmam que Alcolumbre busca uma saída política para diminuir as tensões entre os Poderes e ampliar sua base de apoio na disputa pela presidência da Casa. Outra etapa da articulação seria a tentativa de convencer o STF a reconhecer a constitucionalidade da chamada lei da dosimetria, aprovada pelo Congresso para reduzir penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. A norma está suspensa por decisão de Alexandre de Moraes, à espera de análise do plenário da Corte. Segundo a reportagem, aliados de Alcolumbre também discutem limitar os efeitos de uma eventual anistia à esfera penal, sem alterar a situação eleitoral de Bolsonaro, que permanece inelegível. A eventual concessão de indulto depende do presidente da República, enquanto a anistia exige aprovação de uma lei pelo Congresso. A proposta atribuída a Alcolumbre ainda depende de negociações e não há anúncio oficial de acordo entre os envolvidos. Na disputa pelo comando do Senado, Alcolumbre enfrenta os nomes de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que buscam reunir o apoio da direita. A eleição está prevista para fevereiro de 2027, e a votação será secreta.
Alcolumbre avalia indulto ou anistia a Bolsonaro em busca de apoio no Senado
Segundo aliados, presidente do Senado pretende negociar um perdão ao ex-presidente em troca de apoio à reeleição e redução da pressão por impeachment de ministros do STF



