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BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “vergonhosa” a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e afirmou que o senador deveria ter entregado os passaportes à Polícia Federal, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações foram feitas nesta terça-feira (27), durante a comemoração do aniversário de 81 anos do presidente, em Brasília. “É um dos episódios mais vergonhosos da história do Brasil. Estou dizendo a vocês: quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido de seu país é porque deve alguma coisa. E não vá dizer lá fora que o Brasil não tem democracia, porque, se não tivesse, um miliciano não poderia ter sido candidato à Presidência da República”, afirmou Lula. Apesar das críticas públicas, o presidente teria manifestado a aliados preocupação de que a retenção dos passaportes possa ser usada por adversários para sustentar um discurso de perseguição política. Segundo pessoas próximas ao senador, Flávio teria viajado para a Flórida, nos Estados Unidos. A Polícia Federal, porém, ainda investigava seu paradeiro, conforme as informações divulgadas. Lula também comparou a situação à época em que respondeu a processos judiciais e afirmou que não deixou o país. “Lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações que estão na imprensa não são verdadeiras”, declarou. Durante a campanha eleitoral, Lula havia desafiado Flávio a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos e de integrantes de suas famílias. O senador apresentou 19 condições para o acordo, que foram aceitas pelo petista. Em 22 de outubro, representantes das campanhas compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para formalizar o compromisso, mas a equipe de Flávio afirmou que apresentaria os documentos do candidato somente depois de conferir os de Lula. O presidente também afirmou que os Estados Unidos são a “segunda pátria” da família Bolsonaro. O vice-presidente Geraldo Alckmin comentou a viagem atribuída ao senador e classificou o episódio como “incompreensível”. A celebração reuniu ministros, aliados e apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, com música, bolo e discursos. Durante o evento, Lula se emocionou ao agradecer o apoio recebido de eleitores idosos e jovens. A comemoração ocorreu dois dias após o segundo turno da eleição presidencial, no qual, segundo os dados apresentados no relato, Lula venceu Flávio Bolsonaro por mais de quatro milhões de votos.