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BRASÍLIA – A Polícia Federal investiga indícios de movimentação de R$ 130 milhões em uma conta bancária vinculada ao advogado e empresário Willer Tomaz, entre março e maio do ano passado. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Segundo trechos do inquérito, o valor movimentado seria aparentemente incompatível com as atividades econômicas conhecidas do empresário. “A expressividade do montante, somada à curta janela temporal analisada, constitui elemento de interesse investigativo e reforça a necessidade de aprofundar a operação quanto à origem dos recursos”, afirma relatório da PF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à abertura do inquérito e à continuidade das apurações. Os investigadores também analisam movimentações de até R$ 35 milhões em uma plataforma de apostas esportivas, saques em casas de apostas no exterior e possíveis irregularidades envolvendo empresas ligadas ao advogado. A investigação inclui ainda um pregão presencial da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), vencido pela empresa Pixs, e suspeitas de favorecimento e fraude em licitação. A PF também apura a relação de Willer com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e possíveis vínculos financeiros com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo os investigadores, dados extraídos de dispositivos e arquivos armazenados na nuvem do advogado deram origem a parte da apuração. O celular apreendido pela PF continha fotografias de Willer e Flávio juntos em festas, encontros e reuniões. O advogado também figura entre os proprietários de uma aeronave utilizada pelo senador em uma viagem em janeiro de 2025. O avião era administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A PF investiga ainda indícios de que Willer e Flávio teriam compartilhado uma conta bancária, hipótese levantada a partir de uma troca de e-mails entre uma instituição financeira e o escritório de advocacia. A assessoria do senador negou a existência de conta conjunta, e Willer também contestou a informação. Em nota divulgada no domingo (18), o advogado criticou o vazamento de informações da investigação às vésperas do debate presidencial e atribuiu a divulgação a interesses político-eleitorais. “Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas”, declarou. Willer negou irregularidades financeiras relacionadas a empresas de apostas e afirmou que não houve circulação de recursos com essas companhias. “É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático sirva de instrumento para uma pescaria probatória destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”, acrescentou.